Março / 2016

As estreptococoses são doenças de grande importância na produção de tilápias no Brasil e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realiza diversos monitoramentos em fazendas no país para realizar o controle dessas enfermidades. Contudo, para o diagnóstico correto desses patógenos é necessária, em cada fazenda, a coleta de um elevado número de animais vivos para envio ao laboratório. Como  a detecção desse patógeno é feita em órgãos do peixe, como rim, cérebro e sangue era necessário a eutanásia dos animais.

A partir de uma demanda apresentada pelo MPA o AQUACEN, Laboratório Oficial Central da Rede Nacional de Laboratórios Oficiais (RENAQUA) desenvolveu e validou um protocolo para o diagnóstico da infecção por Streptococcus agalactiae em tilápia do Nilo envolvendo o uso da coleta de amostras por métodos não-letais associados à bacteriologia e ensaios de PCR e qPCR.

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Figura 1. Procedimento de coleta de amostra de rim cranial por biopsia aspirativa em tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)

A dissertação “Métodos não-letais de coleta de amostras para o diagnóstico de infecção por Streptococcus agalactiae em tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)” desenvolvida por um aluno de mestrado da equipe do laboratório AQUACEN,  descreveu a padronização das seguintes técnicas de coleta não-letal de amostras em tilápias: aspirado renal (Fig. 1) e punção venosa para coleta de sangue (Fig. 2). Estas técnicas demonstraram ser seguras para a obtenção de amostras, permitindo a sobrevivência dos peixes após o procedimento de coleta. Posteriormente a padronização, um ensaio de infecção experimental foi realizado em tilápias utilizando a bactéria S. agalactiae, que é o principal agente etiológico de surtos de septicemia e meningoencefalite em pisciculturas no Brasil e no mundo. O diagnóstico do patógeno, até então, era realizado apenas na coleta letal de cérebro e rim de peixes doentes associados à bacteriologia e/ou PCR. Os resultados obtidos nesta pesquisa foram publicados no periódico Aquaculture (acesse a pesquisa completa clicando aqui) e demonstraram que a coleta não-letal é uma metodologia alternativa para detecção da infecção em peixes doentes e portadores, e que, em particular, o aspirado renal e punção venosa são altamente eficientes para a detecção de S. agalactiae em tilápias quando usada em conjunto com a qPCR como método de diagnóstico.

NL_Fig3http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0044848615302982

A padronização de protocolos envolvendo a coleta de amostras por métodos não-letais associados às técnicas de diagnóstico foi uma demanda essencial de pesquisa, pois irá permitir o estabelecimento de programas específicos de monitoramento da estreptococose nos plantéis brasileiros, sem a necessidade de submeter peixes à eutanásia, principalmente em reprodutores de alto valor zootécnico, e poderá garantir a comercialização de tilápias saudáveis. Adicionalmente, esse método de diagnóstico também poderá ser adotado para emissão de certificação sanitária na piscicultura, atestando a ausência do patógeno nos peixes produzidos em uma determinada propriedade, a partir de coletas de amostras periódicas.

Esses novos métodos de coleta serão agora incluídos nos treinamentos dos fiscais sanitários das Agências Estaduais de Saúde Animal para que as coletas nas fazendas sejam feitas sem a eutanásia dos peixes.

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Figura 2. Procedimento de coleta de sangue por punção venosa da veia caudal em tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)